Política de gente grande!

Pessoal, o Filipe que fez o post “Estudar fora ou não, eis a questão”, topou fazer uma coluna semanal, nos atualizando sobre os acontecimentos econômicos, políticos e culturais, direto da Europa! Para inaugurar a coluna, nada melhor que o assunto “Eleições na França” que está em destaque essas semanas!  

Bonjour!

Para os desavisados, estamos em plenas eleições na França, o primeiro turno foi no domingo dia 22 de abril, e o segundo turno será no dia 6 de maio. O título é uma alusão para a diferença da forma de se tratarem política aqui no velho mundo.

O primeiro turno das eleições foi vencido pelo Partido Socialista de centro-esquerda do François Hollande com aproximadamente 29% dos votos, o segundo colocado e atual presidente da França da UMP (União por um Movimento Popular) de centro-direita, foi o Nicolas Sarkozy com aproximadamente 27% dos votos. Quanto aos outros candidatos uma “triste” surpresa, mas historicamente compreendida. A candidata de ultradireita Marine Le Pen obteve expressivos 18% de votos, enquanto o candidato de extrema esquerda Jean-Luc Mélenchon obteve 11%. Essa expressiva votação para a ultradireita criou e está criando diversas manifestações da mídia nas últimas semanas. A candidata possui opiniões extremistas em relação à imigração, União Européia, políticas educacionais e outros assuntos polêmicos. Essa corrente da ultradireita européia não é novidade por aqui, outros países como a Alemanha, Áustria, Holanda e Inglaterra, viram florescer as ideias extremistas com o agravamento da crise, por isso digo que historicamente é compreendido, mas seguimos temerosos.

Mas o objetivo não é criticar os planos de governo dos candidatos, mas discorrer sobre a forma de fazer política por aqui, bem diferente da brasileira. Primeiramente me surpreendeu a quantidade de TVs, Rádios e Jornais que se interessam por política (não existe horário político gratuito na França, mas a maioria dos meios de comunicação são públicos), não existe propaganda política na mídia, mas existem extensivos debates, críticas, “mesas redondas”, que abordam as opiniões de TODOS os candidatos quase que com o mesmo tempo de exposição. Houve 10 candidatos à presidência, e posso dizer que pelo menos seis deles estavam todos os dias na mídia, se não eles, mas membros de seu partido discutiam planos, projetos, assuntos polêmicos como emprego, dívida pública, imigração, religião e etc. Foi quando eu comecei a fazer uma triste comparação com o Brasil.

Horário político gratuito (não democrático), excesso de propaganda nas ruas (mesmo se a lei não permita, ainda há os que se arriscam), comícios onde o objetivo não é ouvir o candidato, mas ver o show da banda que você gosta (sim, bandas são contratadas para fazer comícios), tempo escasso nos debates para TODOS os candidatos (só para lembrar, estamos numa democracia), debates manipulados (como não se lembrar da manipulação da Globo nas eleições Collor x Lula?), tudo que infelizmente vem minando nosso sistema eleitoreiro.

É triste para um país que possui avanços enormes como a urna eletrônica, mas atrasos como o voto obrigatório. Além da demora de uma reforma política e mais democrática. Podíamos aprender com o velho mundo a fazer política, não à politicagem e sim à liberdade e igualdade na política. Dessa forma formaremos cidadãos mais conscientes de seus atos e votos.

Mas será que parte disso não é culpa nossa? Do povo? Não damos valor para a democracia, alimentamos o sistema bipolar político brasileiro e terminamos sempre dizendo “isso nunca vai mudar, político é tudo igual”. Para quem se interessa por política vale a pena acompanhar de perto, não é só de torres, vinhos e queijos que são feitos os franceses, é de se admirar a consciência política do povo francês. Nessa eleição houve 20% de abstenção (o voto não é obrigatório), um número relativamente pequeno para um país do tamanho da França.

A bientôt.

Filipe

Ps. Foi a única foto que eu consegui de todos os candidatos, essas placas são expostas na frente de todos os locais de votação.

Sites úteis sobre política francesa/europeia: Na França: http://www.lemonde.fr (Periódico conhecido no mundo todo, tem um viés político e não possui um lado declarado, diferente do Figaro (direita) e do Liberation (esquerda) se você estiver procurando uma visão “neutra” das coisas, mas estão todos em francês).

Para os que gostam de uma leitura mais carregada, recomendo o Le Monde Diplomatique Brasil (À venda em quase todas as bancas por aproximadamente 10 reais, é uma revista mensal sobre política, economia, cultura, entre outros assuntos, é a versão Brasileira da revista Francesa).

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