Os sem-carro

Devido ao festival embaixo de chuva do final de semana, peguei uma gripe das “brabas”. Hoje, debilitada, tive que sair do escritório mais cedo que o comum. Como de costume voltei para casa de metrô. Não me atentei que eram 6 horas da tarde!!

Pensa em muitas, mas muitas pessoas, primeiro, muitas tentando passar pela catraca, depois muitas querendo descer a escada rolante, então muitas tentando entrar no vagão do metrô, que outras vezes parecia tão grande e espaçoso… A cabeça doendo, o corpo pedindo cama e veio o inevitável pensamento: “por que eu vendi meu carro mesmo?”…

No final do ano passado abriu uma estação de metrô próxima ao meu trabalho, e eu também moro perto de uma. Comecei então a ir para o escritório de metrô. O percurso de 9km que antes demorava de 30 a 90 minutos para ser percorrido de carro, dependendo do humor de São Paulo, passou a ser feito todos os dias em cerca de 20 minutos, sem stress nenhum. Uma maravilha, ainda mais para mim que não entro e nem saio da labuta tão cedo..

Vou e volto tranquila, sentada, lendo meus livros, ouvindo música, observando os tipos mais diversos de humanos, velhos, novos, tatuados, sonolentos e engravatados… Junte a isso o fato de que aos finais de semanas estou sempre com o namorado ou amigos que têm carro, bateu a brilhante idéia: vou vender o meu carro!

Até hoje, o arrependimento não bateu, mas confesso que ao ver a confusão que fica as 6 horas da tarde, percebo que São Paulo ainda tem muito o que melhorar em termos de transporte público (e em outros termos que não vêm ao caso agora).

Continuo apoiando os sem-carro, ainda mais se for por opção, está claro que São Paulo está entupida até o talo de carros, a poluição que eles geram é uma das maiores vilãs da cidade e isso para transportar na maioria das vezes uma pessoa! Para muitos não há alternativas, mas se você pode, colabore, faça sua parte, inove, pegue carona, vá de metrô, vá de taxi, vá de bicicleta!!! Os beneficios são muitos, para você, para a cidade e para o futuro!

Lembrei de um texto ótimo que saiu na Piaui há um tempo (no tempo que eu ainda tinha carro e tudo isso parecia tão distante). 

Os sem-carro podem sê-lo por opção ou circunstância. No primeiro caso, minoritário, alinham-se autofóbicos e descoordenados. No segundo, pobres e novos-pobres. Em ambos, trata-se de uma condição penosa, que implica desafiar a normalidade social e as prerrogativas vigentes de sucesso, como quem tem seis dedos na mão direita ou torce para a Portuguesa – há quem padeça de ambas as condições, e ainda assim tem um possante na garagem.

Tata

2 thoughts on “Os sem-carro

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